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Daniel Pradeep Singer / Songwriter - Ouça Your Soul Blog (OYS)
Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
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abril 16, 2013

Soulful Black Women no Rio Grande do Sul (Brasil) - TOP 10: Doce Voz de Ana Lonardi


Daniel Pradeep

No dia Internacional da Mulher 8/Março/2013 eu comecei a minha homenagem às cantoras negras. Primeiramente publiquei minha lista das TOP 10 internacionais no artigo Soulful Black Women In The Music (USA), são elas: 1. Tina Turner, 2. Whitney Houston, 3. Diana Ross, 4. Beyoncé, 5. Donna Summer, 6. Areta Franklin, 7. Toni Braxton, 8. Patti LaBelle, 9. Chaka Khan e 10. Dionne Warnick. Depois chegou a vez das cantoras brasileiras, Soulful Black Women na Música Brasileira - TOP 10: 1. Eliseth Cardoso, 2. Elza Soares, 3. Alcione, 4. Sandra de Sá, 5. Margareth Meneses, 6. Lady Zu, 7. Zezé Motta, 8. Negra Li, 9. Preta Gil e 10. Paula Lima

Agora eu inicio uma série de textos sobre as cantoras negras do Estado do Rio Grande do Sul, onde nasci e vivo até o momento. A ideia era publicar um só texto com as 10 cantoras, mas ainda não obtive informações sobre todas, sendo assim vou sempre atualizar o artigo e republicar, adicionando mais uma artista até completar as 10 mais expressivas sob meu ponto de vista. Neste caso, eu aboli a numeração em forma ranking pelo seguinte motivo. Todas estas artistas, embora tenham trajetórias e estágios de carreira diferentes, não fazem parte da indústria da música no Brasil. Mesmo aquelas com anos de carreira, ainda estão na batalha para se manter no cenário musical nacional, ou mais restrito ao sul do Brasil, dependendo de leis de incentivos e projetos culturais, que nem sempre constituem um suporte facilmente disponível. Desta forma, eu acho injusto categorizar estas artistas, que nem sempre tem mais ou menos destaque em virtude de seus talentos, mas sim devido as dificuldades de manter uma carreira constante. Muitas dessas cantoras contribuíram e contribuem para uma sólida cultura musical em nosso Estado, muitas delas com ações políticas reafirmando a identidade negra ou sua orientação sexual, enquanto outras simplesmente fazendo uma arte inovadora ou transgressora. Dentre estas artistas citarei Loma, cuja biografia é muito rica e estou trabalhando com muito carinho em seu texto; Zilá Machado, lendária sambista; Andréa Cavalheiro, nossa Diva Soul, entre outras. Mas é com linda e talentosa Ana Lonardi que eu abro os trabalhos. Apresento um belo texto com base em informações fornecidas pela própria artista.

Ana Lonardi. A trajetória de Ana na Música começou muito cedo, primeiro como uma paixão que mais tarde se revelou como vocação e o amor de sua vida: a música. Conheceu esta arte através de sua mãe, que a ensinou a cantar quando era ainda um bebê. Sua mãe, Eliana, era cantora no Coral da UFRGS e sempre trouxe a música muito forte dentro dela. Foi a grande incentivadora na carreira de Ana, inscrevendo a menina aos cinco anos  nas aulas de piano e no coral infantil da escola, ambos dirigidos pela cantora e pianista gaúcha Simone Rasslan. Apesar do ouvido apurado e do gosto pelo canto, Ana era muito tímida e cantava bem baixinho na esperança de que alguém a ouvisse, gostasse e pedisse pra cantar mais alto. O tempo passou e, com mais maturidade, experiência e mais cultura musical, foi se identificando com sonoridades e artistas como Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. Momento marcante foi quando ouviu a gravação clássica de “Summertime”. Isso a tocou profundamente, sendo um divisor de águas em sua vida. Passou a escutar Jazz dia e noite. Neste momento, a sua voz, que tem vontade própria, descobriu um meio autêntico de se expressar. A partir daí sua voz não era mais daquela menina que cantava baixinho e sim de uma adolescente que passa a “cantar alto”. A cultura músical de sua família contribuiu com referências importantes da música brasileira, como: Tom JobimRoberto MenescalToquinhoMaria Bethânia, entre outros. A pedido dos colegas, Ana cantou no colégio e no cursinho pré-vestibular. A timidez foi diminuindo, a voz saindo e no papel, as primeira letras foram surgindo. Um dia, num impulso, conta Ana: “Fui parabenizar um músico de Blues que estava se apresentando num pub. Falei que adorava Ella fitzgeraldBillie Holiday e Sarah Vaughan, e que gostaria muito de cantar num palco assim como ele. O músico foi tão solícito e na semana seguinte me apresentou para uma cantora que viria a ser a primeira grande apoiadora do meu trabalho: Sema Gorini”.


Aos 17 anos, ao lado de Sema, circulou por todos espaços de arte de Porto Alegre conhecendo músicos. A partir daí, Ana começou a trabalhar com artistas consagrados do cenário músical gaúcho como: Serginho Copetti, Jorge Dorfman, Michel Dorfman, Paulo Dorfman, Luke Faro e Luiz Mauro Filho. Julio Furst foi um dos grandes incentivadores da cantora, que adquiriu respeito, conquistou espaços em rádios e casas de espetáculos do RS. Um show marcante foi “As Divas”, na Casa de Cultura Mário Quintana. Nos primeiros shows não haviam figurinos, patrocínio e produtor. Mas Ana colocou a mão na massa e assumiu toda a produção com a ajuda da sua mãe e de parceiros como Ari Lopes, quem auxiliava na divulgação. Durante alguns anos, por estar cursando a faculdade de Psicologia na UFRGS, foi difícil investir na carreira musical, mas continuou estudando técnica vocal. Além disso, gravou jingles em diversas produtoras de áudio de Porto Alegre. Após sua formatura aos 23 anos, redescobriu o samba através de Paulinho da Viola, Nelson Cavaquinho, Cartola, Pixinguinha, Dona Ivone Lara. Foi um segundo divisor de águas na sua carreira e seu desejo por compor renasceu. Segundo Ana, “A composição, assim como o canto, é um espelho, e nos ajuda a enxergar e conhecer o que a sua alma está querendo fazer musicalmente”.  Nesse momento, ela se via engolfada pela necessidade de optar entre cantar Jazz (música americana) ou MPB


Foi paralisante para ela! Mas Ana sambou o lápis e no fim tudo fluiu. Nesse momento, Ana Lonardi se descobre cantora profissional. Através de Claudinho Pereira e Preta Pereira, Lonardi conheceu o diretor de cinema carioca Maurice Capovilla, que estava atrás de uma nova cantora para lançá-la num filme sobre Lupicínio Rodrigues. Ao ouvir a voz de Ana ao cantar acapella “Coração Vulgar” de Paulinho da Viola, o diretor não teve dúvida e a convidou para protagonizar o filme, junto a Arrigo Barnabé. O filme, ainda não lançado, foi mais uma ponte para Ana no meio artístico. Posteriormente, num show do próprio Arrigo em Porto Alegre, retomou contato com uma compositora e cantora Gisele De Santi, que se tornou referência, amiga e parceira de Ana. Através de Gisele surgiu o encontro com o produtor musical Leo Bracht. Mais uma vez a carreira de Ana se transformou, mas agora rumo ao registro eterno de sua voz: o disco que espressará a essência sonora de Ana Lonardi. Essa é Ana Lonardi! Determinada, sonhadora, gente que faz, amassa o pão, escreve a canção, samba o jazz, firula no samba, escolhe a roupa, produz o caminho que a conduz pra nunca pisar pra trás e continuar sagaz, sem medo de reprovação, conquistando todos com seu coração e com a voz que seduz, e é a própria luz que a desenha grande e soberana no palco! Ela como qualquer músico, investiu estudando, se relacionando e gastando a ponto de se cansar. Mas mesmo diante de questionamentos ou de repentinos e passageiros momentos de dúvida pra onde seguir, Ana triunfa a cada NÃO DESISTIR! O que mais dizer sobre a talentosa Cantante Lonardi? Ah, um pequeno detalhe! Ela tem como lema uma frase do grande Voltaire: “O segredo das artes é corrigir a natureza”.  Acabo por aqui. Precisa mais?


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